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CUT dá início à sua 8ª Plenária Nacional

Começou hoje, dia 28 de agosto, às11 horas, no auditório do Parlamento Latinoamericano, o Parlatino, em São Paulo, SP, a 8ª Plenária Nacional da Central Única dos Trabalhadores. O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, saldou os aproximadamente 400 delegados eleitos nas respectivas plenárias estaduais, e iniciou os trabalhos convocando o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu, o vice-presidente do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo e o economista, Luciano Coutinho, a fazerem exposições sobre a conjuntura nacional e internacional.
A Plenária Nacional da CUT prosseguiu com debate entre os palestrantes e os delegados. Em seguida, os delegados discutiram o Regimento Interno da plenária e, à tarde, as propostas de resoluções sobre "Conjuntura, Balanço das Atividades da CUT e Plano de Ação".


A seguir o resumo das exposições de:
José Dirceu (PT),

Renato Rabelo (PC do B)

 

Resumo da exposição do presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu
Resumo não revisado pelo autor.

O presidente nacional do PT, José Dirceu, destacou a visível transformação do quadro político nacional e internacional ocorrida nos últimos dois anos. Segundo o petista, o avanço do neoliberalismo vem provocando uma resistência popular mundial, uma vez que os ajustes econômicos têm sido feitos da mesma forma tanto na América Latina como na Europa. Além disso, o G7 não dá mostras de que irá mudar a orientação econômica. "O que falam é pura retórica", disse Dirceu.
O presidente do PT destacou algumas das formas de resistência encontradas: a derrota de Ménem, nas últimas eleições, em Buenos Aires; a vitória da centro-esquerda na Índia e na Itália; a aproximação do Partido Socialista francês às teses contra o neoliberalismo; a luta dos sindicatos alemães contra as reformas pretendidas pelo governo; os embates crescentes das centrais sindicais européias, a queda da popularidade de Fujimori, no Perú, são alguns dos sintomas.
No Brasil, José Dirceu, destacou os efeitos da política neoliberal levada à cabo por FHC: desemprego, fisiologismo, falta de políticas públicas ou até mesmo compensatórias, ajuda indiscriminada a bancos mal administrados. No entanto, José Dirceu apontou a falta de alternativas das esquerdas, não só no Brasil, como em todo o mundo, que aponte saídas para a essa crise.
O presidente do Partido dos Trabalhadores acredita que, neste momento, a luta contra o desemprego será determinante para se dar um primeiro passo para derrotar o neoliberalismo no país, principalmente agora, com as proximidades das eleições. Segundo Dirceu, os candidatos de FHC estão tendo um desempenho sofrível nas pesquisas de opinião pública. Divulgou resultados de uma pesquisa feita em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, em que 41% dos pesquisados disseram que não votariam em candidatos do governo. Dirceu apontou, no entanto, uma situação nova para o país, que é o surgimento da oposiçãoo de direita, capitaneada pelo atual prefeito de São Paulo, Paulo Maluf.
José Dirceu finalizou sua exposição dizendo que o Brasil deveria relacionar-se melhor com a África do Sul, China, Austrália, Índia, no plano internacional, e, no plano político institucional interno, uma aglutinação entre os partidos de esquerda e, a partir daí, construir uma alternativa ao neoliberalismo.

 


Resumo do pronunciamento do economista Luciano Coutinho, na abertura da 8ª Plenária Nacional da Central Única dos Trabalhadores, em 28 de agosto de 1966. Resumo não revisado pelo autor.
"A economia mundial está submetida a um grande mercado de riqueza financeira, que se desenvolveu em especial nos últimos 15 anos. Neste período o número de papéis negociados se multiplicaram de 7 trilhões de dólares para 35 trilhões de dólares. Esses papéis representavam um terço do produto nacional do grupo dos 7 grandes, e tiveram um salto de 140%! Esses títulos são, hoje, maiores que o produto nacional do Grupo dos 7! Esses ativos são integrados por ações nas bolsas de valores, títulos de dívida pública (em especial do governo dos Estados Unidos) e títulos privados. São gerenciados por grandes instituições governamentais e privadas, e também por fundos de pensão - não por acaso as grandes instituições privadas estão de olho nos fundos de pensão...
Trata-se de um mercado muito líquido, volátil, que tem inúmeras transações secundárias. Para se precaver dos riscos, vale-se de operações de compensação, de mercado futuro, que se multiplicam. Operações altamente alavancadas, muitas vezes ultrapassando em 30 ou 40 vezes os recursos das instituições que as operam. Se esses ativos se deflacionam, causam profundas dificuldades e até falências de empresas e governos. Esses acidentes ocorrem, e podem causar falências súbitas de bancos e países, como ocorreu com o México, que só não teve proporções ainda maiores porque o governo dos EUA injetou 50 bilhões de dólares em seus socorro. Não existem mecanismos de defesa ou controle e uma crise pode eclodir.
Nos últimos anos as taxas de juros nos países desenvolvidos têm sido baixas, reduzindo a rentabilidade dos investimentos. Os investidores buscam alternativas. Daí o porquê dos países da América Latina terem recebido recursos financeiros, possibilitando a estabilidade da economia, ao lado da taxa fixa de câmbio. Como aconteceu com o Plano Real.
O Brasil foi invadido pelo capital especulativo, antes mesmo do Plano Real, que, oportunistamente, aproveitou-se desse expediente para provocar uma estabilização forçada da economia. Mas verificamos, com o passar do tempo, que essa política mostrou-se antiproducente.
Não podemos negar que o pessoal de baixa renda teve um ganho real de 30% e foi exatamente isso que levou FHC à presidência.
Com o passar do tempo, verificou-se a desindustrialização do país, o desemprego industrial (os novos empregos que vêm surgindo são na maioria das vezes desqualificados), imaginem isso em uma situação de juros altos e com capacidade de poupança reduzida. Este modelo econômico é hostil ao investimento. Não é à-toa que o quadro político internacional vem mudando radicalmente. Na Argentina, o povo cansou-se da recessão e do desemprego. Acho difícil que haja ajustes, ainda mais ortodoxos, com o apoio da sociedade. A própria elite argentina vê com ceticismo qualquer iniciativa nesse sentido.
Aqui no Brasil, o que significa o crescimento, na opinião pública, de candidaturas quase inexpressivas, apoiadas por prefeitos, entre eles o sr. Paulo Maluf, que têm feito obras de duvidosa necessidade e utilidade para o povo? É sinal que a população quer progresso e nós, da esquerda, necessitamos pegar essa bandeira e construir, de fato, uma alternativa política que gere desenvolvimento, que faça investimentos, sob pena de deixarmos a direita sobressair-se.


Renato Rabelo (PC do B)

Resumo do pronunciamento do vice-presidente do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo, na abertura da 8ª Plenária Nacional da Central Única dos Trabalhadores, em 28 de agosto de 1966. Resumo não revisado pelo autor.
"É importante atentar para o fato de que o mundo da globalização vai caminhando para mudanças. Prevalece a unipolaridade quase absoluta dos Estados Unidos no mundo, devido à sua força política, militar e ainda econômica. Os EUA exercem inclusive papel de política mundial, atropelando a soberania de países como Cuba, Líbia, Iraque... Mas a tendência é de transição para um mundo multipolar, onde despontam a Europa unida, com a Alemanha com um papel preponderante; o Japão, e o crescimento da China. Vale destacar que a Rússia ainda vive uma situação de desequilíbrio, inclusive com um crescimento de setores nacionalistas e da própria esquerda no país.
Um grande desafio do mundo atual é, também, a necessidade da retomada do desenvolvimento em níveis altos. O modelo neoliberal atual é impotente para esse desenvolvimento. Faz-se necessária a formação de uma poupança interna para a retomada de investimentos em níveis maiores. Atualmente o desenvolvimento tecnológico e o desemprego estrutural levam a uma crise social de grande repercussão. A exclusão crescente é dramática, e estamos vivendo uma fase de barbárie do sistema capitalista.
Diante desse quadro, a resistência ao neoliberalismo vai se reorganizando. Isto é inevitável. Busca-se alternativas a esta situação. O povo dá sinais de que quer dar um basta à orientação adotada pelo neoliberalismo. É o que indicam os recentes resultados eleitorais e protestos na Índia, Itália, França, Argentina.
Numa tal conjuntura, o Brasil precisa ampliar sua área de ação internacional. Não pode continuar na área dos EUA. Precisamos da união com a China, a Índia, a Austrália, a África do Sul, para defendermos os interesses geopolíticos próprios do Brasil.
Em nosso país, o neoliberalismo passa por uma fase de dificuldades e desgastes. O governo FHC enfrenta dilemas importantes. Está ficando com a marca, ante a população, do governo do desemprego, da falência das empresas, da proteção aos grandes bancos. O Projeto "Brasil em ação", apresentado pelo governo, tem o cunho da demagogia, do eleitoralismo, da manobra às vésperas de uma derrota eleitoral. Ele é insuficiente para salvar o governo, que sofrerá derrotas nas capitais mais importantes e em inúmeros municípios.
As forças de esquerda devem buscar uma unidade ainda maior para resistir e construir uma alternativa a esse processo político em curso. Estamos diante de três batalhas que se interligam: as eleições municipais, a eleição para as mesas do Senado e da Câmara (o Planalto quer um Congresso manietado, dócil aos seus interesses), e as próximas eleições presidenciais, inclusive enfrentando o projeto continuísta de FHC.
Vemos quatro tendências políticas na situação atual do país: a do situacionismo (com a tese da reeleição); a da direita (capitaneada pelo Maluf); uma oposição de centro, intermedária (envolvendo Ciro Gomes, Itamar Franco e Paes de Andrade); e a oposição de esquerda, que pode e deve ser o núcleo de uma oposição maior, mais ampla, que influa decisivamente nos rumos do país. As bandeiras que podem unificar a oposição foram, em parte, contempladas na última greve geral, liderada pela CUT com as outras centrais: questões como o desemprego, a reforma agrária, a retomada do desenvolvimento... No processso surgirão as bandeiras e a plataforma da unificação".


"A Central Única dos Trabalhadores, neste dia em que completa 13 anos de existência, representa a esperança dos trabalhadores deste país", afirmou o presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, durante a exposição que fez realizando o balanço das atividades da entidade, durante a 8ª Plenária Nacional que se realiza em São Paulo, no Parlatino.
O balanço das atividades da Central, aprovado na Plenária, destaca que a "deterioração social nos países em desenvolvimento e as políticas protecionistas e excludentes dos países de capitalismo avançado têm levado à instabilidade política, em particular nos países do leste europeu, da antiga URSS e da África".
No Brasil, a Plenária considerou que a greve geral de 21 de junho "foi a mais expressiva condenação popular à política econômica do governo, que produz arrocho dos salários, aumento da exclusão social, sucateou setores inteiros da economia, elevou o desemprego para taxas recordes (16,1% na região metropolitana de São Paulo), concentra renda e riqueza, aumenta a miséria e a violência no campo e na cidade".
Vicentinho destacou, além da greve geral, a participação da CUT no Fórum das Oposições, no Congresso Nacional de Educação, realizado em Belo Horizonte, e no 3º Grito da Terra Brasil. E alertou que, ao discutir o Plano de Lutas para o próximo período, que deverá ser aprovado na sexta-feira, 30, "vamos ter que medir com muito cuidado nossas ações, pois a situação exige de nós cada vez mais competência".


CUT lança campanha pela saúde

A Central Única dos Trabalhadores lança nesta quinta-feira, dia 29, às 14h30, a campanha "A defesa da Saúde em nossas mãos', que objetiva envolver os sindicalistas na luta pela defesa da saúde e sensibilizar os governantes para que invistam mais e melhor no setor. O presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, e a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, Eliane Luzia Schmidt, coordenarão o lançamento, que acontece durante a 8ª Plenária Nacional, no Parlatino, São Paulo.
A campanha tem como eixos o modelo assistencial, o financiamento, os recursos humanos e a democratização através do controle social.
Serão distribuídos adesivos, cartazes e cartilhas aos sindicalistas, responsáveis pelo desdobramento da campanha nos Estados do país. Levantamentos sobre a situação da saúde deverão ser feitos em todos os Estados da federação. A próxima etapa da campanha deverá aprofundar questões específicas como a da saúde do trabalhador.


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