NEOLIBERALISMO E GLOBALIZAÇAO NO ... DOS OUTROS É BOM, NO PROPRIO... OS ALEMAES QUE O DIGAM
Enquanto as empresas alemãs estiveram "papando" estrangeiras,
expandindo seus tentáculos pelo mundo afora, o discurso aqui foi
"estamos na era da globalização", que traz "benefícios para todos".
"A economia nao conhece mais fronteiras", "nacionalismo, interesse
nacional, patrimônio nacional sao coisas do passado, dos
dinossauros", "daqueles que nao querem aceitar que o capitalismo
triunfou e o comunismo foi derrotado", etc.
Um discurso que a gente conhece bem no Brasil...
Bastou a Vodafone britânica (note-se que em alemão, "V" em início de
palavra se lê como "F"... e releia o nome da firma) fazer uma oferta
pelo conglomerado gigante Mannesmann, interessada apenas em seu
lucrativo setor de telecomunicações espalhado por vários países da
Europa (o restante seria esquartejado e jogado aos leões famintos do
mercado), para o discurso mudar.
O chanceler Schröder já fala da necessidade de se criar mecanismos
que impeçam o come-come desvairado, através de fusões e
incorporaçoes. A proposta britânica conseguiu unir empresários e
sindicalistas alemaes, situaçao e oposiçao, etc. Ninguém quer ver a
Mannesmann ("patrimônio privado nacional"), construído com o suor
alemao, transformar-se numa "filial britânica"...
Mas negócios sao negócios e os analistas acreditam que os acionistas
da Mannesmann estao mesmo mais preocupados em fazer um bom negócio de curto-médio prazo.
Do outro lado, Tony Blair já acusa os alemaes de "nacionalistas",etc.
Se fosse o inverso, certamente os discursos também estariam
invertidos. Quando a Rolls-Royce foi comprada pela BMW, a história
foi semelhante (guardadas as proporçoes do negócio). Os britânicos
também nao se conformaram em ver um "patrimônio nacional" passar ao
controle dos rivais alemaes...
O que falar de nossas companhias de telecomunicaçoes...Marcio Weichert, é jornalista, colaborador do site sindical, já foi assessor dos sindicatos dos Petroleiros-RJ e dos Aeronautas, entre outros. Trabalha no programa brasileiro da Rádio Deutsche Welle.