Proposta da CONTREN para a organização institucional do Setor Nuclear Brasileiro
Situação estrutural do setor nuclear
A vinculação indevida da
atividade nuclear a assuntos estratégicos, a subordinação a
uma mesma instituição de normatização, de pequisa e de
produção e a completa falta de autonomia das áreas de
fiscalização e controle levaram a atividade nuclear a uma
situação crítica, potencialmente perigosa para os que operam
instalações nulceares de qualquer natureza, para as comunidades
vizinhas a essas instalações 0 que gera uma situação de
descrédito e desestímulo ao desenvolvimento da tecnologia
nuclear.
O total despreparo, por falta de
interesse e investimentos, no trato da segurança nuclear e da
proteção radiológica explicam com a facilidade o acidente de
Goiânia, uma vez que existe um número irrisório de fiscais
para toda a atividade nuclear em território brasileiro (que
conta com milhares de fontes radioativas). Somente este acidente
deveria bastar para demonstrar a inadequação de um único
órgão para cuidar de todas as complexas atividades do setor.
O programa nuclear das Forças
Armadas consome a quase totalidade dos recursos do setor nuclear,
em instalações secretas e submarinos nucleares, impondo uma
situação caótica ao programa civil.
A CNEN, ainda que dando sinais de
renascer, tornou-se um biombo para muitas das ilegalidades
praticadas por programas nucleares civis e militares, alguns à
revelia do Congresso Nacional e dissociados dos interesses da
população brasileira.
Esta situação leva a um diagnóstico sombrio da energia nuclear no Brasil que pode ser
exemplificado por:
* falta de priorização e
alocação de recursos para pesquisa e desenvolvimento de
tecnologia nuclear;
* falta de autonomia e abandono da área de fiscalização e
controle das atividades nucleares da CNEN resultando em falta
de recursos, equipamentos e pessoal para que, no mínimo,
evitemos novas Goiânias;
* abandono da área de
controle radiológico,, pela CNEN, levando a absurdos como a
estocagem indevida de resíduos radioativos em Itu/SP, Poços
de Caldas/MG e Buena/RJ;
* não priorização de
investimentos na área de tratamento de rejeitos;
* sub-utilização de
cientistas e demais profissionais treinados com recursos
públicos;
*abandono da atividade de
pesquisa e lavra mineral que culminou no sucateamento das
instalação e potencialidades do Complexo Industrial de
Poços de Caldas, e no sucateamento e liquidação apressada
e duvidosa da Nuclebrás Areias Monazíticas-NUCLEMON, após
mais de 50 anos de atividade nos estados do Rio de Janeiro e
São Paulo;
*sucateamento e seguidas
irresponsablidades por parte dos dministradores das
instalações das Indústrias Nucleares do Brasil-INB
inclusive com o ilegal desvio de equipamentos para ARAMAR,
perda das reservas de urânio e transporte irregular de
combustível nuclear para citarmos alguns exemplos ;
*desmonte da Nuclebrás
Enriquecimento Isotópico - NUCLEI, após o Estado brasileiro
ter investido cerca de 350 milhões de dólares no projeto,
sem a exigência do ressarcimento, a ser pago pelo sócio
alemão, (previsto em contrato) para o caso do fracasso do
empreendimento;
*desvio das atividades da
NUCLEP, que passou a operar quase que exclusivamente para a
Marinha de Guerra, inclusive com o deslocamento de pessoal civil para o
Arsenal de Marinha;
*esvaziamento da Nuclebrás
Engenharia - NUCLEN, com a conseqüente perda da capacidade
de desenvolvimento tecnológico, após anos de formação e
treinamento de sua mão de obra especializada;
*utilização indevida dos
institutos civis de pesquisa pela Marinha - via COPESP-, como
o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares-IPEN e o
Centro de Desenvolvimento da Energia Nuclear-CDTN, ambos
vinculados à CNEN;
*desmobilização da
Nuclebrás Equipamentos Pesados-NUCLEP, que aponta para a
liquidação de um importante instrumento de consolidadação
do desenvolvimento da tecnologia nuclear no Brasil, apesar de
todo o investimento público aí feito nos últimos anos;
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ENERGIA NUCLEAR?
Só a serviço da vida!
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