Pelo uso e controle civil da energia nuclear
Contrariando a Constituição brasileira, que proíbe a utilização de tecnologia nuclear para fins bélicos, o gerenciamento do programa civil de energia nuclear é, ainda hoje, projetado e executado por diretrizes traçadas prioritariamente pelas Forças Armadas, com o respaldo de entidades como a CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear e pelo Ministério de Ciências e Tecnologia,. Estes organismos agora intentam construir, em parceria com a Marinha de Guerra Brasileira, uma planta de enriquecimento de urânio nas instalações da INB- Indústrias Nucleares do Brasil S.A. às margens do Rio Paraíba do Sul, responsável por mais de 70% do abstecimento de água da população do Estado do Rio de Janeiro criando, com este projeto, uma situação potencial de risco para uma enorme quantidade de habitantes envolvidos, sem entretanto considerar ser sua obrigação pôr em discussão seus projetos para que a sociedade civil possa opinar sobre os rumos, o destino e o controle de uma atividade desta natureza.
Pela segurança nuclear e por uma política de controle e fiscalização de fontes e
materiais radioativos.
As instituições responsáveis pelas normas no Brasil têm sido, de forma deliberada,
despriorizada pelos sucessivos governos, provocando o esvaziamento da área de fiscalização. A quantidade de fiscais em todo o território brasileiro - menos de uma centena - é um dos resultados desta política.
Outros fatores desta política que revelam o descaso para com a vida são: manutenção da falta de
conhecimento geral da população circunvizinha às instalações nucleares; precariedade da fiscalização efetivada pelas instituições responsáveis em evitar acidentes radiológicos (caso do Césio 137, em Goiânia); abandono e armazenamento indevido de milhares de toneladas de rejeitos radioativos resultantes de diversos processos industriais e, basicamente; omissão das instituições responsáveis em evitar a contaminação de populações e do meio ambiente.
Pelos direitos dos trabalhadores do setor nuclear.
Por terem participado involuntariamente, assim como toda a sociedade, das aventuras de um Estado militarista, os trabalhadores do setor nuclear reivindicam, a exemplo dos países
que reciclaram seus programas nucleares, o direito de verem suas qualificações respeitadas em um projeto mais adaptado às reais necessidades da sociedade brasileira.
Os trabalhadores do setor nuclear têm muito o que fazer, em atividades socialmente úteis, principalmente nas áreas médica, industrial e ambiental. É imperioso o estabelecimento de uma política nacional de rejeitos radioativos e de reciclagem dos postos de trabalho nucleares.