A SITUAÇÃO DOS REJEITOS RADIOATIVOS
Assim como o Programa Nuclear Brasileiro não
se preocupou devidamente com a segurança da população e o meio
ambiente, esqueceu-se também do que fazer com os rejeitos
produzidos pela atividade de suas instalações. A área de
gerenciamento de rejeitos radioativos, em todo o mundo, teve
progressos significativos: emprega cada vez mais pessoas, em
postos de trabalho que envolvem tecnologia de grande relevância
para o desenvolvimento industrial moderno dos países além de,
como é óbvio, destinar-se a proteger os cidadãos e o meio
ambiente.
Sem uma política nacional conseqüente de
rejeitos radioativos, nós somos obrigados a conviver com uma
situação insustentável: toneladas de rejeitos de alta
atividade estocados provisoriamente na piscina da usina de Angra
sem destino a médio prazo; instalações do IPEN, dentro da
cidade de São Paulo, utilizadas para guardar rejeitos
radioativos; rejeitos do processamento das areias monazíticas
(concentrados de Tório e Urânio) nas instalações do CIPC
(região de Poços de Caldas-MG) e Usina da Praia (região de
Buena-RJ) , lixo contaminado com Césio 137 estocado em Abadia
(Go).
Além de colocar em risco o meio ambiente, as
atividades que os produziram irradiaram, indevidamente,
trabalhadores e pessoas da população. É bom lembrar que a
falta de uma política de rejeitos vem sempre acompanhada de um
atraso tecnológico semelhante em todos os processos industriais
que geraram esses rejeitos. Os trabalhadores do setor nuclear
são os principais responsáveis pela identificação, denúncia
e mapeamento de rejeitos. A omissão, nesse caso, fazendo o jogo
do patrão, longe de garantir postos de trabalho, atenta contra a
própria saúde do trabalhador, de seus familiares e da
população, além de contribuir decisivamente com a degradação
ambiental que certamente irá infelicitar as futuras gerações.
|