A energia nuclear - Opiniões

A CNEN E A FISCALIZAÇÃO DE FONTES RADIOATIVAS

No Brasil, disseminadas por todo seu território, existem, de posse de pequenas e grandes empresas, cerca de sete mil fontes radioativas de uso médico e industrial. Boa parte dessas fontes entraram no país através do contrabando. Outras estão sob a guarda de pessoas não credenciadas, através dos vários mecanismos usados para burlar a legislação ineficaz da área de proteção radiológica.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN, responsável pela fiscalização dessas fontes, conta para isso com cerca de quarenta fiscais em todo o país (sic) [A TRÊS ANOS SEM REAJUSTE SALARIAL] e já declarou, por diversas vezes, que não tem idéia sequer de onde está boa parte delas. A imagem que este governo entreguista que temos tenta passar para a opinião pública é a de que a CNEN é um órgão público esquecido e ineficiente, como outros tantos no Brasil.

Mas a realidade é bem diversa. Desde a década de setenta os sucessivos governos, e dirigentes do setor nuclear, em conluio com as forças armadas, destinam fabulosas cifras de recursos financeiros ao fomento a atividades nucleares para uso bélico ou pretensamente energéticos, como as chamadas Pequenas Centrais Nucleares da Marinha de Guerra.

Acidentes provocados pateticamente por catadores de ferro velho, com conseqüências monstruosas, o desvio até hoje não esclarecido de nossas reservas estratégicas de urânio e o recente transporte irregular de urânio não entusiasmam os dirigentes do Programa Nuclear, nem preocupam suficientemente os parlamentares brasileiros.

Assim , a CNEN continua fiscalizando-se a si própria e rotulando [em especial a CONTREN] de alarmistas ou de serem contra a atividade nuclear todos aqueles que lutam por uma nova organização institucional do setor, pela contratação de mais profissionais da área de fiscalização e segurança nuclear, pelo desenvolvimento de tecnologias modernas de gerenciamento de risco e pela legalidade em suas atividades de fomento.

Entendemos que a falta de controle sobre o manuseio de fontes radioativas constitui um sério fator de intranqüilidade das comunidades brasileiras e um risco permanente para o meio ambiente e a saúde das pessoas.



ENERGIA NUCLEAR?             SÓ À SERVIÇO DA VIDA !

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