A energia nuclear - Opiniões

RISCO NA ATIVIDADE NUCLEAR BRASILEIRA

A segurança da atividade nuclear brasileira está correndo grave risco. A atual diretoria das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) vem sucateando sistematicamente a Empresa, através de uma política deliberada de esvaziamento e desmotivação dos seus trabalhadores.

Sucessora da Nuclebrás, a INB é, estatutariamente, a empresa responsável pela extração e beneficiamento de minérios radiativos, enriquecimento de urânio e produção de elementos combustíveis para as usinas nucleares brasileiras.

Desde a criação da INB, sua atuação, bem como das demais empresas nucleares brasileiras, tem sido limitada pela falta de uma política nuclear, pela subordinação indevida aos interesses dos programas militares, pela incapacidade gerencial de seus gestores e pela perpetuação dos mesmos desmandos que levaram sua antecessora ao descrédito e inoperância.

As sucessivas gestões da INB têm para isto contribuído não só por seu contínuo processo de esvaziamento político, mas também pela absoluta falta de propostas de desenvolvimento, pelo sucateamento de suas instalações, por liquidações apressadas (e duvidosas) de subsidiárias, pelo abandono das atividades de pesquisa mineral, pela lavra inadequada de urânio em Poços de Caldas, por inexplicáveis e lesivas movimentações de nossas reservas estratégicas de urânio, pela execução de obras sem concorrência pública em suas instalações e por uma total desmotivação do seu quadro gerencial e operacional.

A empresa, não por méritos gerenciais mas por sua própria especificidade e pelo mérito de seus trabalhadores, tem desempenhado com competência a tarefa de produção de elementos combustíveis para Angra I. Tem acumulado, todavia, uma enorme débito social em todas as demais áreas de sua atribuição.

A incompetência e subordinação da INB pode ser exemplificada com o que acontece com suas instalações em Poços de Caldas, onde ainda se extrai e beneficia residualmente o minério de urânio. Além das instalações destinadas à produção de urânio, a empresa possui uma bacia projetada e autorizada para a contenção dos rejeitos da lavra de urânio. Fugindo à finalidade para a qual foi criada, ela foi utilizada de forma indevida para o armazenamento de milhares de toneladas dos subprodutos radioativos do beneficiamento da areia monazítica extraída no litoral norte-fluminense. Milhares de bombonas e tambores metálicos estiveram durante anos , em depósitos "a granel", enterrados próximos a nascentes de água. Recentemente, deu-se início ao processo de tratamento da chamada torta II, sem descomissionar a área de mineração, o que é irregular. A entidade responsável, CNEN, é totalmente omissa no assunto ou conivente com os descabidos e inconseqüentes atos da diretoria da INB.

A atual diretoria da INB, entretanto, vem buscando deliberadamente desmoralizar o único setor que vem mantendo o mínimo de dignidade dentro da INB, os seus trabalhadores. A última cartada foi engavetar o Plano de Cargos e Salários discutido com a representatividade dos empregados e tirar da cartola um outro, que só beneficia os altos escalões da empresa, legislando em causa própria.

Entretanto, o Governo Federal autorizou um PCS que não representasse aumento de custo nas folhas de pagamento das estatais. Só poderia existir aumento salarial se houvesse economia interna nas empresas, através de redução de custos. Essa seria a única maneira de incrementar ganhos salariais em seus PCSs.

Diante destas restrições, a diretoria da INB, para alcançar seus objetivos, resolveu atacar, para diminuição de custos, sem o menor escrúpulo, canibalizando a empresa e seus empregados, através das seguintes medidas:

* perda da reserva estratégica de urânio.

* transporte irregular de material nuclear

* sucateamento de atividades

* restrição ao direito de expressão

* redução de conquistas coletivas da categoria

* recrutamento interno viciado

Dessa forma, sobraria dinheiro que seria repassado para meia dúzia de privilegiados. Além disso, está sendo criada pela diretoria da INB uma situação insustentável para quando for implantada a Fábrica de Pó e Pastilha em Resende e iniciada a extração de urânio na jazida de Lagoa Real (Bahia). Na ocasião, aumentará muito a necessidade de pessoal, devendo haver desde já uma política prevendo remanejamento, treinamento e incentivo de pessoal na INB. Entretanto, o que acontece hoje é exatamente o contrário. E não é por acaso. A diretoria da INB tem o objetivo claro de esvaziamento dos quadros antigos da empresa. A conseqüência seria não ter, no devido momento, pessoalsuficiente para tocar os novos empreendimentos. Dessa forma, estariam colocadas as condições para a contratação de empreiteiras, colocando em risco a segurança essencial para a indústria nuclear. Além disso, o ainda bastante limitado controle social - através da sociedade civil organizada e do Congresso Nacional - sobre a atividade nuclear seria praticamente impossibilitado.

Essa situação tem trazido grande preocupação à CONTREN. A diretoria da INB, ao legislar em causa própria, aniquilou a política de pessoal existente, gerando um ambiente de desestímulo e falta de credibilidade, que põe em risco o trabalho do dia a dia, o que poderá comprometer gravemente a segurança das instalações, afetando diretamente os trabalhadores e pondo em risco as comunidades vizinhas às fábricas da INB.

Nesse sentido, estamos denunciando essa grave situação à sociedade, solicitando o apoio e a intervenção de parlamentares e autoridades governamentais no sentido da busca de soluções que evitem riscos aos interesses da coletividade, e que a atividade nuclear seja respeitada como socialmente útil e voltada aos interesses do país e não para mais a meia dúzia de prepostos de um governo antinacional.



ENERGIA NUCLEAR?             SÓ À SERVIÇO DA VIDA !

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