Textos e opiniões

O Programa de desestatização do Governo FHC/ACM é danoso ao país

Só os muito tolos podem aceitar os critérios do programa de desestatização do governo autoritário, e cheio de denúncias de corrupção, do Sr. Fernando Henrique Cardoso.

A cultura popular mineira tem um dito extremamente feliz que nos permite entender o que está sendo feito pelo governo de FHC/ACM com o país.

Você venderia sua vaquinha leiteira para pagar uma viagem de trem para ir com sua família tomar leite na capital?

Desde que foi lançado, em 1991, o programa nacional de desestatização tem dito que seu principal objetivo econômico e financeiro é reduzir o endividamento interno (estoque e juros da dívida federal). Entretanto, depois de liqüidada a CSN, a LIGHT, a Vale do Rio Doce, todo o setor petro-químico, parte do setor elétrico e dezenas de outras empresas nacionais não se observa nenhuma redução, além da de postos de trabalho, no estoque de endividamento (interno e externo) do país.
A Light privatizada obtém grandes lucros e promete melhoria dos serviços para1998. No exterior já é conhecida como uma empresa que gera muito caixa. No Brasil, ela surpreendeu o mercado pela rapidez com que reduziu drasticamente seus custos e passou a apresentar resultados invejáveis. A que preço? A manutenção das redes e equipamentos é claramente deficiente, em vários locais atendidos pela concessionária os cortes abruptos de energia são cada vez mais constantes, estragando alimentos e criando graves dificuldades à comunidade. Isto porque o n.º de postos de trabalho foi reduzido ao mínimo e os trabalhadores que ficaram estão sobrecarregados sem que possam, por mais que tentem, atender ao aumento da demanda de solicitações. Aliás, todas estas observações valem também para a CERJ.
A privatização da Vale, sob a alegação de que o governo não tinha mais dinheiro para nela investir e com um ator altamente competente no desempenho do papel, mais parecia um quadro do Fantástico. Felizmente algumas ações que impedem a concretização do negócio ainda serão julgadas e poderemos ter de volta a maior mineradora do mundo.
A Comissão Nacional de Trabalhadores em Energia Nuclear - CONTREN, constituída hoje de mais de quinze entidades representativas de trabalhadores nas bases nucleares, está especialmente envolvida na luta contra a privatização do setor elétrico, especificamente de Furnas, próximo alvo do governo neo-liberal.
Agora a bola da vez é Furnas Centrais Elétricas. Para ser privatizada e, por conseqüência, atender aos organismos que manipulam o poder, precisa se livrar da sua parte nuclear, constitucionalmente impedida de pertencer à iniciativa privada. Como para este governo do "franguinho baratinho" a ética, a moralidade e a legislação são entendidos como entraves à "modernidade" e um atentado ao ENTE SAGRADO MERCADO logo foi "arranjada" uma "solução final" para o "problema".
Se a privatização da atividade de geração elétrica nuclear de FURNAS é inconstitucional, isto não parece representar problema para o governo FHC/ACM pois, para quem age de forma imperial, parece ser suficiente, para eliminar os obstáculos, lançar um proclama que determine que se promova a cisão de FURNAS e que sejam separadas suas atividades de geração hidráulica e nuclear, mesmo que com isto a atividade nuclear passe a representar um ENORME RISCO POTENCIAL para a população brasileira.
      A CONTREN entende que a cisão de Furnas, com o conseqüente desmembramento de sua parte nuclear, poderá comprometer seriamente o já prejudicado programa nuclear brasileiro, além, é claro, de não haver, mais uma vez, razão plausível para este entreguismo. Quais as garantias mínimas para o funcionamento a contento da nova empresa? Como serão conseguidas as linhas de crédito, num estado dito falido, para nos assegurar que a continuidade da atividade nuclear não venha a implicar, por falta dos recursos (hoje aplicados por FURNAS em segurança e manutenção), na perspectiva de contaminação de milhões de brasileiros?
Caso a cisão se concretize a nova empresa deverá obter recursos do Tesouro Nacional -a débito do contribuinte- ou por contrato de venda de energia a Furnas ou à concessionária de distribuição que admita e possa absorver os altos custos da energia nuclear.
O exemplo de concessionárias americanas indica que a energia gerada por Angra I (menos eficiente que suas congêneres americanas) terá custo muito superior ao da energia gerada pelas demais usinas do sistema, mesmo considerando novas usinas em implantação. O contrato de compra de energia nuclear será considerado, dentro da "lógica" do "mercado"ló portanto, danoso à concessionária de energia elétrica.
Não se pode admitir que decisão de tamanha amplitude venha a ser adotada sem condições capazes de garantir o domínio total da tecnologia nuclear no país, indispensável para a segura operação das usinas.
Além da questão da segurança nuclear, deve ser ressaltado que a entrada em operação da usina de Angra II em 99 é fundamental para o atendimento da demanda energética do sudeste, e em particular ao Rio de Janeiro. Angra II representará uma parcela significativa da energia a ser consumida na região. A situação, crítica, não permite qualquer frustração no cronograma, o qual não estará garantido caso haja a cisão de Furnas.



ENERGIA NUCLEAR?             SÓ À SERVIÇO DA VIDA !

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